quinta-feira, 22 de julho de 2010

A arte de não se fazer nada

Pois então, precisava fazer algo antes do almoço para logo após começar a estudar inglês, poderia estar ligando meu PS3 e colocando algum chumbo no crânio de meus inimigos virtuais, entretanto, como acordei sem meu instinto natural de quase todas as manhãs que consiste em "repelir néscios e esmagar com mão-de-ferro as manifestações de 'imbecialização' coletivas ou individuais", deixando de lado meus sentimentos democratas e humanistas, resolvi escrever.

Hoje gostaria de não expor sobre política, religião, serviços públicos (ainda estou pensando em como escrever sobre minha última odisséia no serviço de saúde pública), e sim sobre uma coisa que tem me sugado quase totalmente: Stieg Larsson e a Millenium




Sim, esse cara aí de cima tem prendido minha atenção nas últimas semanas com sua obra Millenium, realmente esse romance de três volumes foi uma das melhores histórias que eu já li até hoje, umas das suas proezas foi ter feito eu parar de ler tudo o que eu estava lendo até então, eu tenho a mania de ler vários livros ao mesmo tempo, em contrapartida, são poucos o que eu termino de ler, coisas da "superficialidade" que ganhei do meu signo Gêmeos (preciso justificar de alguma forma, já que falta embasamento técnico em psicologia comportamental para explicar esse meu jeito).

Voltando ao senhor Larsson, que é suéco de origem e com um histórico bem ativista, na sua profissão de jornalista lutou muito contra o racismo e a política de extrema direita, que basicamente, entre nós, prega a mesma coisa. Infelizmente ele já é falecido (1954-2004), segundo consta ele entregou o romance Millenium aos editores pouco antes de falecer de ataque cardíaco, realmente uma pena.



Para entender melhor o contexto da obra e a mentalidade de Larsson vamos falar um pouco da Suécia nas décadas de 1970 a 1990. Localizado na península escandinávia, esse país devia estar recebendo muitos imigrantes oriundos principalmente do Leste Europeu, que tentavam fugir do governo "socialista" (sim, com aspas) da União Soviética, portanto é normal nascer um sentimento de xenofobismo nessas nações que tem um alto nível de imigrantes, até o Brasil já teve isso, só dar uma olhada na Lei de Terras (1850) e de Cotas (1930-40) e conversar com seu professor de história para comprovar o que eu escrevo.



A série Millenium mostra bem a questão dos imigrantes na Suécia, quando joga assuntos como a influência da Máfia Russa, o tráfico de mulheres do Leste Europeu bem como o parentesco de muitos dos personagens com descendência armena, polonesa, estoniana, etc...


Focando agora na obra Millenium, a trama é bem engendrada e muito, mas muito viciante. É claro que não recomendaria esse romance para meus alunos, uma vez que a trama é pesada e, vamos dizer assim, lasciva (sim!! achei o termo perfeito), uma vez que tem altas doses de sadomasoquismo, relações um tanto quanto bastante liberais (no bom sentido da palavra) e altas doses de violência, enfim, coisas de europeu. Esses assuntos são abordados de forma aberta nos livros, não posso afirmar isso com maestria já que o que estou lendo é uma versão brasileira, com certeza deve ter alguns pontos cortados da trama original (só com a tradutora ou eu fazendo curso de suéco para ler o original para findar essa dúvida). Agora, já as pessoas acima de vinte anos e que já tenham algum tipo de consciência, o livro é um prato cheio.

Uma das coisas que eu mais gostei é o detalhe com que o autor trabalha os personagens que entram na trama, vc fica sabendo de muita coisa, lógico, o que convém para o andamento da história, mesmo assim apesar das várias "paradas" o andamento da mesma não perde em nenhum momento o fio da ninhada.


Quanto aos protagonistas então nem se fala, Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander são um caso muito a parte, muito bem trabalhados, dotados de personalidade instigante, cada vez que fala um pouco sobre cada um vc fica ainda mais interessado. Em muitos fóruns e comunidades que eu li sobre o livro, vi uma ênfase gigantesca sobre Lisbeth, acredito que isso acontece porque esse personagem é trabalhado ao delongo dos três livros, ou seja, é uma incógnita até a última linha. E sem falar do público feminino que deve adorar certas coisas em Lisbeth, como ser uma Hacker fodona, com muita grana (conseguida de forma "ilícita", mas como dizem "ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão"), com próteses de silicone (rs), e ser muito, mas muito independente (vamos deixar o fato de ela ser bissexual como bônus, tem gente que gosta e outras... bem... não).


Já Mikael é pouco elevado a patamares maiores, o que eu acho uma pena (nem tem comunidade para ele no orkut). Em comparação a Lisbeth, no que diz respeito sobre o trabalho do autor ao personagem, ao meu ver, Mikael é mais "resumido", já que tudo o que vc tem que saber de Mikael está no primeiro livro (do qual eu mais gostei). Ele é o meu personagem preferido, não por ele ser um "bon-vivant", traçar quase todas as mulheres do livro e ter 40 anos (isso é foda!), mas sim por ser um cara seguro, ter determinação e saber muito, além de ser phoda no que faz (jornalista), pô no primeiro livro o cara descobre sobre um "crime" depois de quarenta anos arquivado, para mim isso é PHODA! Ele me lembra muito um dos meus personagens prediletos que carrego desde a infância: o 007. Ambos são muito bons no fazem, e isso bem, eu invejo (há algum mal em invejar personagens fictícios?), ainda tem muito chão para eu ser bom no que eu faço.


Enfim o livro é ótimo, vale muito a pena de ler, fiquei sabendo, quando comecei a ler a obra, sobre um filme suéco de 2009 (O homem que não amava as mulheres, título do primeiro livro, "fotinha" acima), mas que, segundo a crítica, não é tão bom. Acredito que um filme do romance de Larsson teria que vir com um titulo enfatizando o "Inspirado na Obra", é impossível uma adaptação fidedigna são muitos pormenores, uma mini-série seria "bemmmm" melhor. Está para sair uma versão Hollywoodiana com Daniel Crieg (HÁ!O novo 007, foto abaixo), que segundo a crítica pode sair-se bem melhor que a versão suéca, de qualquer forma eu vou assistir assim que terminar o terceiro livro.


Então... é isso por hoje... já desenvolvi demais a arte de não se fazer nada aqui nesse post, a essa altura do campeonato eu já perdi o meu almoço, que se dane também, estou precisando emagrecer mesmo (94 kg e diminuindo, obrigado apêndice!). NOW Let's learn english!

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